
Neste primeiro módulo, vamos compreender os fundamentos da Fonologia, ramo essencial da Linguística que estuda os sons da língua e suas funções na comunicação.
Iniciaremos explorando o conceito de fonologia e o seu objeto de estudo, entendendo como ela se diferencia da fonética e qual a sua importância para o domínio da norma culta.
Em seguida, analisaremos o conceito de fonema, elemento central da fonologia, e sua relevância para o desenvolvimento da gramática e para o aprimoramento da comunicação linguística na sociedade.
Também abordaremos a relação entre fonema e letra, esclarecendo as diferenças entre som e grafia — um tema frequentemente cobrado em provas de concursos públicos.
Por fim, estudaremos brevemente o contexto histórico da fonologia, compreendendo como essa ciência se consolidou e passou a contribuir para o ensino da língua portuguesa.
Este módulo servirá como base para o entendimento dos conteúdos posteriores, permitindo que você avance com segurança no estudo dos aspectos sonoros da língua portuguesa e aprimore seu desempenho nas provas.
1 DEFINIÇÃO DE FONOLOGIA
A Fonologia é a área da gramática que estuda os sons da fala sob o ponto de vista de sua função na língua, isto é, analisa como os sons se organizam para formar palavras e distinguir significados.
Diferentemente da fonética, que se ocupa do som em sua realização física, a fonologia preocupa-se com o valor linguístico de cada som dentro do sistema de uma língua.
Para entender melhor essa importância, basta observar um exemplo simples: as palavras casa e capa diferem por apenas um som — o /s/ e o /p/ —, mas possuem significados completamente distintos.
Essa pequena diferença mostra como cada som (ou fonema) desempenha um papel essencial na construção de sentido.
Podemos imaginar a fonologia como um grande quebra-cabeça sonoro, no qual cada peça, representando um som, deve estar no lugar certo. Se uma peça for trocada, a imagem muda — e, com ela, o significado da palavra.
Assim, compreender a fonologia é compreender a lógica que estrutura a língua, algo fundamental para o domínio da ortografia, da acentuação gráfica e da interpretação de textos, temas recorrentes em provas de concursos públicos e exames em geral.
Segundo Evanildo Bechara, a fonologia é:
“a parte da gramática que estuda os sons da língua enquanto elementos distintivos, ou seja, enquanto servem para diferenciar significados”.
Celso Cunha e Lindley Cintra afirmam que:
“a fonologia ocupa-se do estudo funcional dos sons, isto é, de sua capacidade de estabelecer distinções de sentido entre as palavras”.
Para Rocha Lima,
“a fonologia analisa os sons da língua não em sua realização física, mas no valor linguístico que eles possuem dentro do sistema”.
Já Luís Antônio Sacconi define a fonologia como:
“o estudo dos fonemas, unidades mínimas capazes de alterar o significado das palavras”.
Com base nessas concepções, podemos formular uma definição mais ampla e integradora: a fonologia é o ramo da gramática que estuda os sons da fala em seu aspecto funcional, analisando como eles se combinam e se opõem para formar palavras e distinguir significados dentro de um sistema linguístico.
Para facilitar a compreensão, imagine que a língua funciona como uma orquestra e que os sons, ou fonemas, são os instrumentos musicais.
Cada instrumento tem sua função específica e, se um deles tocar uma nota diferente, toda a melodia se transforma.
Da mesma forma, na fonologia, cada som desempenha um papel fundamental: alterar um único som é como mudar uma nota na partitura — a música muda, e com ela, o sentido da palavra.
2. FONEMAS

Os fonemas constituem o objeto de estudo da fonologia e podem ser definidos como as menores unidades sonoras capazes de estabelecer diferenças de sentido entre as palavras de uma língua.
Em outras palavras, o fonema é o som distintivo que usamos para formar palavras e diferenciá-las umas das outras.
Cada língua possui um conjunto próprio de fonemas, que se combinam de formas variadas para formar o vocabulário.
É importante destacar que os fonemas não são as letras, mas sim os sons que as letras representam.
Enquanto a escrita é a representação gráfica da fala, a fonologia ocupa-se dos sons propriamente ditos.
Os fonemas exercem dois papéis fundamentais na estrutura da língua: o papel formador e o papel distintivo.

2.1 Fonemas: o formador de palavras
O primeiro diz respeito à formação das palavras.
Ao combinarmos diferentes sons, criamos palavras compreensíveis dentro de um mesmo sistema linguístico.
Por exemplo, a palavra casa é formada por quatro fonemas: /k/, /a/, /z/ e /a/.
Quando esses sons são organizados nessa sequência específica, produzem uma palavra que transmite significado. Se mudarmos a ordem ou o som, a palavra deixa de existir ou adquire outro sentido.
2.2 Fonemas: o diferenciador de palavras
O segundo papel do fonema é o de distinguir palavras.
É por meio da alteração de um único som que diferenciamos significados distintos.
Observe: em moço e moça, a troca do fonema /o/ por /a/ muda completamente o sentido da palavra. Da mesma forma, em maço e maçã, há substituição e mudança de posição de fonemas, gerando novas palavras com sentidos totalmente diferentes.
Essas pequenas alterações sonoras são a base da comunicação verbal, pois permitem que cada combinação de sons tenha um valor próprio e único dentro da língua.
Para compreender melhor, podemos fazer uma analogia: imagine que os fonemas funcionam como tijolos de uma construção.
Cada tijolo, isoladamente, pode parecer simples, mas, quando combinados de maneira ordenada, formam paredes, casas e edifícios inteiros — da mesma forma que os sons se unem para formar sílabas, palavras e frases.
Se um único tijolo for retirado ou substituído, toda a estrutura muda; assim também ocorre com as palavras, que ganham novos significados a partir da troca de um único fonema.
Outra forma de visualizar esse conceito é pensar em uma melodia musical. Cada nota representa um som (ou fonema) dentro de uma composição. Ao alterar uma única nota, a melodia já se transforma.
Da mesma forma, na língua, cada fonema possui um valor específico: modificar, retirar ou acrescentar um som muda toda a “música” da palavra — isto é, o seu significado.
Portanto, podemos afirmar que os fonemas são as menores unidades sonoras com função distintiva da língua, desempenhando um papel essencial na formação das palavras e na diferenciação de sentidos.
Compreender esse conceito é fundamental não apenas para o estudo da fonologia, mas também para o domínio da ortografia, da pronúncia e da interpretação, aspectos constantemente cobrados em provas de concursos e exames de Língua Portuguesa.
3 Letras
As letras são as representações gráficas dos sons da fala, chamados de fonemas.
Enquanto os fonemas são os sons que ouvimos e pronunciamos, as letras são as formas visuais que utilizamos para registrar esses sons por escrito.
Em outras palavras, o fonema pertence ao universo da fala, e a letra pertence ao universo da escrita.
Essa distinção é essencial para compreender a estrutura da língua portuguesa, especialmente em provas de concursos, que frequentemente exploram a relação entre som e grafia.
Historicamente, a linguagem humana surgiu de maneira oral e gestual. Nos primórdios da civilização, os seres humanos usavam gestos, expressões e sons para se comunicar, transmitindo ideias e emoções de forma direta e imediata.
Com o passar do tempo e o aumento da complexidade das relações sociais, surgiu a necessidade de organizar e padronizar a comunicação, tornando-a mais clara e eficiente.

Assim, a fala foi se aperfeiçoando: sons começaram a se associar a significados, e as palavras passaram a representar objetos, ações e ideias.
Entretanto, a oralidade sozinha apresentava uma limitação: o conhecimento transmitido verbalmente podia se perder com o tempo.
Para garantir a preservação da informação e permitir que ela fosse compartilhada entre gerações, o ser humano criou a escrita — uma das maiores conquistas da história da humanidade.
Acredita-se que os sumérios, civilização da antiga Mesopotâmia, por volta de 3100 a.C., foram os primeiros a desenvolver um sistema de escrita, conhecido como escrita cuneiforme.
Nesse sistema, os sons da fala passaram a ser representados por símbolos gráficos, os quais constituíram os primeiros esboços do que hoje chamamos de letras.
Com o tempo, esse sistema foi se aperfeiçoando até dar origem aos alfabetos, conjuntos organizados de letras que representam os sons de uma língua.
O alfabeto latino, por exemplo, que utilizamos na língua portuguesa, é resultado dessa longa evolução histórica e cultural.
Assim, as letras tornaram-se ferramentas indispensáveis para o registro, a preservação e a transmissão do conhecimento, permitindo o avanço da ciência, da literatura, da educação e da sociedade como um todo.
A importância das letras está justamente em sua capacidade de transformar o som em símbolo, tornando o abstrato em algo visível e permanente. Os fonemas existem apenas na fala — não podemos vê-los nem tocá-los, apenas ouvi-los.
As letras vieram solucionar essa limitação, possibilitando que as palavras e os pensamentos fossem registrados e compreendidos em qualquer tempo e lugar.
Vejamos um exemplo prático: a palavra “CASA”.
Quando falamos essa palavra, pronunciamos quatro fonemas: /k/, /a/, /z/ e /a/. Esses sons, que pertencem ao universo da fala, são representados graficamente pelas letras C, A, S e A.
Assim, a letra C representa o som /k/; a letra A, o som /a/; a letra S, o som /z/; e novamente a letra A, o som /a/. Portanto, “CASA” possui quatro letras que correspondem a quatro fonemas.
Essa correspondência entre som e escrita é a base do sistema alfabético e fundamental para o domínio da ortografia e da pronúncia correta das palavras.
Por isso, compreender o que são as letras e como elas se relacionam com os fonemas é um passo essencial para o estudo da língua portuguesa e para o aperfeiçoamento da comunicação escrita — habilidades indispensáveis para quem se prepara para concursos públicos.
4 A relação entre letras e fonemas
A partir deste ponto, é fundamental prestar bastante atenção, pois a relação entre letras e fonemas é um dos temas mais cobrados em provas de Língua Portuguesa.
Entender essa diferença e suas exceções é essencial para resolver questões que envolvem a contagem de fonemas e letras nas palavras.
Sabemos que as letras são as representações gráficas dos sons da fala, ou seja, dos fonemas. Em regra, há uma correspondência direta entre ambos: cada som (fonema) costuma ser representado por uma letra, e cada letra representa um som.
Assim, em uma palavra comum, o número de letras costuma ser igual ao número de fonemas que a compõem.
Podemos expressar essa regra básica da seguinte forma:
Número de fonemas = número de letras
Por exemplo, observe a palavra “casa”. Ela possui quatro fonemas — /k/, /a/, /z/, /a/ — e quatro letras — C, A, S, A. Nesse caso, há uma correspondência perfeita entre som e escrita.
No entanto, como quase tudo na Língua Portuguesa, há exceções. Em algumas palavras, o número de letras não coincide com o número de fonemas.
Isso ocorre por dois motivos principais: a presença de dígrafos ou de dífonos. Essas são as situações que costumam gerar dúvidas e são amplamente exploradas em provas de concursos.
Para ilustrar, vejamos uma questão real:
CESPE/CEBRASPE – Prefeitura de Recife – Professor II – Área Língua Portuguesa – 2023
Na palavra “quantidade”, há dez letras e nove fonemas.
( ) Certo ( ) Errado
A resposta é Certa, pois a palavra quantidade contém um dígrafo (“qu”), que representa um único som. Assim, embora tenha dez letras, há apenas nove fonemas.
Portanto, é essencial compreender que, sempre que houver um dígrafo ou um dífono em uma palavra, o número de letras e o número de fonemas será diferente:
- No caso do dígrafo, teremos duas letras representando um único fonema, ou seja, haverá mais letras do que sons.
- No caso do dífono, teremos uma única letra representando dois fonemas, ou seja, haverá mais sons do que letras.
4.1 Dígrafos
Os dígrafos ocorrem quando duas letras representam um único som.
Um exemplo clássico é a palavra “cachaça”, em que o grupo “ch” representa apenas um som — o som de /x/, como em xaveco.
Nesse caso, a letra h não representa som algum, mas sua presença indica que o grupo “ch” deve ser pronunciado como o fonema /x/.
Os dígrafos podem ser classificados em nasais (ou vocálicos) e consonantais.
4.1.1 Dígrafos nasais (ou vocálicos)
Os dígrafos nasais ou vocálicos acontecem quando há uma vogal (a, e, i, o, u) seguida de “m” ou “n” na mesma sílaba, desde que essas letras não estejam no final da palavra.
Elas indicam a nasalização da vogal anterior, funcionando como um “til invisível”.
Observe os exemplos:
- Campo → o “am” representa um único som nasalizado.
- Anta → o “an” representa um único som.
- Empresas → o “em” indica nasalização.
Nesses casos, o m e o n não são fonemas nem consoantes — apenas marcas gráficas de nasalização.
É importante tomar alguns cuidados:
1) Não confunda dígrafos com encontros consonantais.
Em palavras como menta, o “m” não forma encontro com o “t”, pois ele apenas nasaliza a vogal anterior.
Quando o “m” ou o “n” aparecem antes da vogal (como em natação), aí sim funcionam como consoantes.
2) Em palavras terminadas em “am” ou “ens”, como amam ou parabéns, não há dígrafo vocálico, mas sim ditongos decrescentes, pois há a presença real de duas vogais sonoras.
4.1.2 Dígrafos consonantais
Já os dígrafos consonantais surgem quando duas consoantes juntas representam um único som. São eles: rr, ss, nh, lh, ch, gu, qu, sc, sç, xs e xc.
Por exemplo:
- Carro → o “rr” representa um único som forte de /r/.
- Galinha → o “nh” representa o som /ɲ/, como em sonho.
- Chave → o “ch” representa o som /ʃ/, como em xícara.
Aqui também vale destacar que o “h” em “nh”, “lh” e “ch” é uma letra etimológica, ou seja, foi herdada do latim e não possui som próprio.
Além disso, os grupos “gu” e “qu” só serão dígrafos quando vierem antes de “e” ou “i” (como em guitarra ou queijo). Caso contrário, o “u” será pronunciado, e não haverá dígrafo (como em quase ou linguiça).
Esse tipo de conteúdo é bastante cobrado em provas. Veja um exemplo prático:
IDECAN – 2024 – UERN – Agente Técnico Administrativo – Auxiliar AdministrativoEnunciado:
Na linha 36, “chance” tem:
A) quatro fonemas e um dígrafo.
B) quatro fonemas e dois dígrafos.
C) cinco fonemas e um dígrafo.
D) cinco fonemas e dois dígrafos.
E) seis fonemas e um dígrafo.
Para resolver, precisamos analisar cuidadosamente a palavra “chance”.
Ela possui 6 letras: c – h – a – n – c – e.
Agora, vamos identificar seus sons (fonemas): /ʃ/ (som do “ch”) + /ã/ + /s/ + /i/.
Assim, temos 4 fonemas. O grupo “ch” representa um único som, caracterizando um dígrafo consonantal.
Portanto, há um dígrafo (“ch”) e quatro fonemas no total.
Alternativa correta: A) quatro fonemas e um dígrafo.
Essa questão reforça o que estudamos: sempre que houver dígrafo, o número de letras será maior que o número de fonemas, pois duas letras representarão um único som.
No caso de “chance”, as letras “ch” formam um único fonema /ʃ/, o que faz com que a palavra tenha 6 letras, mas apenas 4 sons.
Esse tipo de análise é fundamental para as provas de português, principalmente quando a banca quer avaliar se o candidato realmente compreende a diferença entre o que se escreve (letras) e o que se fala (sons/fonemas).
4.2 Dífono
Além dos dígrafos, que representam o uso de duas letras para um único som, há também o fenômeno inverso, chamado de dífono. O dífono ocorre quando uma única letra representa dois fonemas, ou seja, dois sons distintos.
Esse fenômeno é mais raro na língua portuguesa, mas aparece com frequência nas provas de concursos, especialmente em questões que pedem a contagem de fonemas. O caso mais conhecido de dífono é o da letra “x”, que pode representar diferentes sons conforme o contexto da palavra.
A letra “x” pode assumir diversas sonoridades:
- som de /ʃ/, como em xícara e enxame (som de “ch”);
- som de /z/, como em exame e exemplo;
- som de /s/, como em máximo e próximo;
- e som de /ks/, como em tóxico, fixo e sexo.
É nesse último caso — o som de /ks/ — que encontramos o dífono, pois temos uma letra (“x”) representando dois sons distintos (/k/ e /s/).
Exemplo prático em provas
FGV – 2024 – Câmara de Fortaleza (CE) – Analista de Redação
Enunciado:
Comparando as palavras “vexame”, “exame” e “sexo”, verificamos que:
A) a letra X mostra dois fonemas distintos nas três palavras.
B) o X apresenta equivalência, respectivamente, a CH, X e SS.
C) há um mesmo fonema nas duas últimas palavras.
D) em “sexo”, ocorre uma letra equivalente a dois fonemas.
E) no uso de X ocorrem dois fonemas em “vexame”.
Resolução:
Vamos analisar o som da letra “x” em cada palavra:
- Em vexame, o “x” tem som de /ʃ/ (como “ch”), ou seja, um único fonema.
- Em exame, o “x” tem som de /z/, também um único fonema.
- Em sexo, o “x” tem som de /ks/ — ou seja, dois fonemas distintos.
Nesse caso, a letra “x” de “sexo” representa dois sons (/k/ e /s/), caracterizando o fenômeno do dífono.
Alternativa correta: D) em “sexo”, ocorre uma letra equivalente a dois fonemas.Essa questão é um exemplo clássico de como as bancas exploram a ideia de que nem sempre uma letra representa um único som.
Quando o “x” tem valor de “ks”, como em tóxico, fixo, sexo e tórax, ele está representando dois fonemas, configurando um dífono.
IDECAN – 2024 – Prefeitura de Mossoró (RN) – Agente Administrativo
Enunciado:
No termo destacado na sentença “[…] sofrem preconceito em decorrência de sua raça, etnia, nacionalidade, sexualidade e casta”, o fonema /x/ apresenta a mesma sonoridade na pronúncia da palavra:
A) expirar.
B) pixo.
C) êxtase.
D) sintaxe.
E) intoxicação.
Resolução comentada:
Na palavra sexualidade, o “x” apresenta som de /ks/ — o mesmo som que encontramos em palavras como tóxico, fixo e intoxicação. Esse som é formado por dois fonemas distintos (/k/ e /s/) representados por uma única letra (“x”), o que caracteriza o fenômeno conhecido como dífono.
Vamos analisar cada alternativa:
- expirar → o “x” tem som de /s/ (um único fonema);
- pixo → o “x” tem som de /ʃ/ (“ch”);
- êxtase → o “x” tem som de /s/;
- sintaxe → o “x” tem som de /s/ (um único fonema, sem dífono);
- intoxicação → o “x” tem som de /ks/ (dois fonemas, caracterizando um dífono).
Portanto, a palavra em que o “x” tem a mesma sonoridade de “sexualidade” é “intoxicação”, já que em ambas ocorre o som /ks/, representado por uma única letra.
Alternativa correta: E) intoxicação.
Observação importante:
Apesar de muitas pessoas pronunciarem a palavra “sintaxe” com som de /ks/, as bancas de concursos públicos — inclusive IDECAN, FGV e Cebraspe — não consideram o “x” dessa palavra como dífono.
De acordo com a norma fonética padrão, o “x” em sintaxe é pronunciado com som de /s/ (um único fonema). Assim, “sintaxe” não possui dífono, e por isso a alternativa E (intoxicação) é a correta segundo o entendimento técnico adotado nas provas.
Portanto, ao analisar a relação entre letras e fonemas, lembre-se:
- Na maioria das palavras, número de letras = número de fonemas.
- Quando houver dígrafo, o número de letras será maior que o de fonemas.
- Quando houver dífono, o número de fonemas será maior que o de letras.
- O “h” inicial não representa um fonema na língua portuguesa, sendo considerado mudo.
Com esse raciocínio, você conseguirá resolver facilmente as questões que tratam da contagem de letras e fonemas, evitando as pegadinhas mais comuns das bancas.
5. QUESTÕES COMENTADAS
Encerrando este módulo introdutório sobre Fonologia, vamos analisar duas questões recentes de concursos que abordam diretamente a relação entre letras e fonemas — um dos pontos mais cobrados pelas bancas.
Além de revisar os principais conceitos, essas questões nos ajudam a compreender como o tema é tratado nas provas e quais armadilhas o candidato deve evitar.
CESPE / CEBRASPE – 2025 – InoversaSul – Professor de Língua Portuguesa – Anos Finais
Enunciado:
O vocábulo “histórico” tem nove letras e oito fonemas.
( ) Certo
( ) Errado
Resolução comentada:
A palavra “histórico” possui realmente nove letras: h, i, s, t, ó, r, i, c, o.
Porém, quando analisamos os sons, percebemos que o “h” inicial não possui valor fonético na língua portuguesa, sendo considerado mudo.
Assim, ao contarmos apenas os sons efetivos, temos os seguintes fonemas: / i /, / s /, / t /, / ó /, / r /, / i /, / k /, / o /. Ou seja, são 8 fonemas no total, o que confirma a afirmação da questão.
Alternativa correta: Certo.
Comentário:
Essa é uma questão clássica e muito comum em provas do Cebraspe. Sempre que houver o “h” inicial em palavras como hoje, história, honra ou homem, lembre-se: ele não representa som algum, servindo apenas como uma marca gráfica mantida por razões etimológicas (herdada do latim).
Portanto, nessas palavras, o número de letras será maior que o número de fonemas.
IDECAN – 2025 – SME de João Pessoa (PB) – Professor de Português (Educação Básica II)
Enunciado:
Entre as palavras abaixo, todas retiradas do texto, identifique a única em que encontramos o mesmo número de fonemas e letras.
A) Existem
B) Pesadelo
C) Acabasse
D) Reflexão
E) Ciência
Resolução comentada
De acordo com o gabarito oficial, a resposta correta é a letra B) Pesadelo.
Essa escolha está, à primeira vista, coerente: a palavra pesadelo apresenta 8 letras (p, e, s, a, d, e, l, o) e 8 fonemas correspondentes, já que não há dígrafos, letras mudas nem dífonos.
Alternativa indicada pela banca: B) Pesadelo
Contudo, essa questão apresenta um problema técnico de interpretação fonológica, que poderia justificar sua anulação, pois há outra alternativa que também atende ao comando da questão.
Análise detalhada da palavra “Existem”
A palavra existem possui 7 letras: E – X – I – S – T – E – M.
Agora, vamos observar seus fonemas: /e/ – /z/ – /i/ – /s/ – /t/ – /ẽ/.
Temos, portanto, 6 fonemas.
Aqui está o ponto que gera confusão: algumas bancas consideram que o grupo “em” no final da palavra forma um dígrafo nasal, mas isso é gramaticalmente incorreto.
Segundo a Gramática Normativa, as terminações –em e –am não constituem dígrafos, e sim ditongos nasais decrescentes.
Nessas terminações, o “m” não representa um fonema independente; ele apenas nasaliza a vogal anterior, funcionando como uma semivogal nasal. Assim, a sequência “em” é articulada como um único som nasalizado, algo muito próximo da pronúncia /ẽj̃/ ou /ĩj̃/, dependendo do contexto fonético e da região.
Em outras palavras, pronunciamos “existem” de forma muito próxima a “ezisteĩ”, em que o som final é uma vogal nasalizada acompanhada de semivogal, formando um ditongo, e não um dígrafo.
Dessa forma, há duas interpretações possíveis e tecnicamente defensáveis:
- B) Pesadelo → possui o mesmo número de letras e fonemas (8).
- A) Existem → também poderia ser considerada correta, pois, conforme a gramática normativa, não há dígrafo na terminação “em”; logo, não ocorre redução fonêmica que descaracterize a correspondência entre letras e sons.
Assim, a questão apresenta duas alternativas válidas, o que fere o princípio da univocidade exigido nas provas objetivas.
Em razão disso, a questão deveria ser anulada, já que a alternativa A (Existem) também pode ser considerada correta dentro dos parâmetros da Fonologia da Língua Portuguesa.
Essa questão mostra o tanto que nosso curso é avançado para proporcionar o melhor entendimento aos nossos alunos.
