Acentuação dos Monossílabos Tônicos
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Joan Araujo Sousa
7/9/20268 min read


O que são Monossílabos?
Antes de estudarmos a acentuação dos monossílabos tônicos, precisamos compreender o que é, afinal, um monossílabo.
Os monossílabos são palavras formadas por apenas uma sílaba. Em outras palavras, são aquelas que, ao serem pronunciadas, apresentam apenas uma emissão de voz.
Apesar de serem palavras curtas, elas aparecem o tempo todo em nossa comunicação e desempenham um papel fundamental na construção das frases.
Observe alguns exemplos: pá, pé, sol, mar, flor, bem, mãe e três. Todas essas palavras possuem apenas uma sílaba e, por isso, são classificadas como monossílabos.
Entretanto, nem todos os monossílabos se comportam da mesma maneira. Eles são divididos em dois grupos: monossílabos tônicos e monossílabos átonos.
Os monossílabos tônicos são pronunciados com maior intensidade, ou seja, recebem naturalmente um destaque na fala. Eles possuem autonomia sonora e podem ser pronunciados isoladamente sem perder o sentido.
É justamente esse grupo que estudaremos neste capítulo, pois é nele que se aplicam as regras de acentuação gráfica. Exemplos de monossílabos tônicos são: pá, pé, mês, três, céu e pôs.
Já os monossílabos átonos não recebem esse destaque na pronúncia. Eles são pronunciados de forma mais fraca e, normalmente, dependem de outra palavra para completar o ritmo da fala. É o caso de palavras como me, te, se, de, em, por e com.
Essa diferença entre monossílabos tônicos e átonos é extremamente importante, porque as regras de acentuação gráfica recaem apenas sobre os monossílabos tônicos.
Além disso, em alguns casos, o acento também serve para diferenciar palavras que possuem a mesma escrita, mas desempenham funções diferentes na língua. Um exemplo clássico é pôr (verbo) e por (preposição).
Portanto, antes de memorizar qualquer regra de acentuação, o primeiro passo é identificar se o monossílabo é tônico ou átono.
A partir dessa distinção, compreender as regras de acentuação dos monossílabos tônicos se torna muito mais simples e natural.
Regra de Acentuação dos Monossílabos Tônicos
A regra dos monossílabos tônicos é bastante simples.
Recebem acento gráfico os monossílabos tônicos terminados em:
a(s);
e(s);
o(s).
Em outras palavras, para que um monossílabo seja acentuado, ele precisa preencher dois requisitos:
ser um monossílabo tônico;
terminar em a(s), e(s) ou o(s).
Observe alguns exemplos:
pá → monossílabo tônico terminado em a;
pés → monossílabo tônico terminado em es;
pó → monossílabo tônico terminado em o.
Perceba que todas as palavras são acentuadas porque atendem exatamente aos dois requisitos da regra: possuem apenas uma sílaba, essa sílaba é tônica e a palavra termina em a(s), e(s) ou o(s).
Como as bancas costumam cobrar esse assunto?
Nas provas de concursos públicos, esse conteúdo pode aparecer de duas formas.
A primeira consiste em uma abordagem genérica. Nessa situação, a banca afirma apenas que determinadas palavras são acentuadas pela regra dos monossílabos tônicos.
Por exemplo, as palavras pá, pés e pó podem ser consideradas corretamente acentuadas pela regra dos monossílabos tônicos, pois todas pertencem a essa mesma regra geral.
Entretanto, algumas bancas adotam uma análise mais específica. Nesses casos, embora todas as palavras continuem sendo acentuadas pela regra dos monossílabos tônicos, a justificativa é feita com base na terminação de cada uma delas.
Assim, temos:
pá → monossílabo tônico terminado em a;
pés → monossílabo tônico terminado em es;
pó → monossílabo tônico terminado em o.
Perceba que não existe contradição entre essas duas formas de justificar a acentuação. A primeira utiliza uma classificação mais ampla, enquanto a segunda aplica o princípio da especificidade, indicando exatamente qual é a terminação responsável pela incidência da regra.
Para acertar as questões de concurso, é importante compreender as duas formas de abordagem, pois ambas estão corretas e podem ser utilizadas pelas bancas examinadoras.
Análise da Acentuação de Monossílabos Tônicos: o uso de "que" e "quê"
Uma das situações mais cobradas pelas bancas de concursos públicos envolve o emprego de que e quê.
Para compreender essa diferença, basta recordar a regra estudada anteriormente: os monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s) e o(s) recebem acento gráfico.
É exatamente nessa regra que se enquadra a palavra quê.
Quando usamos que (sem acento)?
Na maioria das situações, que é uma palavra átona. Ou seja, sua pronúncia é fraca e ela se apoia foneticamente na palavra seguinte. Nesses casos, não há motivo para o emprego do acento gráfico.
Observe:
Eu sei que ele chegou.
Acho que vai chover.
O livro que comprei é excelente.
Em todas essas frases, o que é pronunciado rapidamente, sem receber destaque na fala. Por isso, permanece sem acento.
Quando usamos quê (com acento)?
A situação muda quando a palavra passa a ser pronunciada com maior intensidade, tornando-se um monossílabo tônico.
Isso ocorre, principalmente, quando quê aparece no final da oração ou imediatamente antes de um sinal de pontuação.
Observe:
Você estava falando de quê?
Ele disse o quê?
Você faltou por quê?
Quê! Você ainda não terminou?
Perceba que, nesses exemplos, a palavra recebe destaque na pronúncia. Como se tornou um monossílabo tônico e termina em e, aplica-se a regra da acentuação dos monossílabos tônicos.
Atenção às provas!
As bancas costumam explorar justamente essa mudança de tonicidade.
Compare:
Disse que viria. → que (átono) → sem acento.
Viria por quê? → quê (tônico) → com acento.
Observe que a diferença não está na grafia da palavra, mas na função que ela desempenha e, principalmente, na sua tonicidade dentro da frase.
O substantivo "quê"
Existe ainda outra situação muito importante: o quê pode funcionar como substantivo.
Nesse caso, ele significa uma característica, um traço ou um detalhe difícil de definir, um "algo a mais".
Observe:
Ela tem um quê de elegância.
O filme possui um quê de nostalgia.
Há um quê de mistério naquele lugar.
Perceba que, nesses exemplos, quê é um substantivo e costuma aparecer acompanhado de um artigo ou de outro determinante:
um quê
esse quê
aquele quê
Essa é uma excelente dica para as provas: sempre que houver um artigo antes de "quê", há uma forte indicação de que a palavra está funcionando como substantivo.
Como possui tonicidade própria e termina em e, o substantivo quê também recebe acento gráfico, em conformidade com a regra dos monossílabos tônicos.
Pronomes Oblíquos Átonos e a Acentuação de Monossílabos Tônicos
Ao estudar acentuação gráfica, existe uma regra muito importante que costuma aparecer em provas de concursos públicos: os pronomes oblíquos átonos não são considerados na classificação da palavra quanto à posição da sílaba tônica.
Em outras palavras, quando um verbo aparece ligado a um pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, lo, la, los, las, no, na, nos, nas), devemos desconsiderar o pronome e analisar apenas a palavra principal.
Observe os exemplos:
dá-lo
vê-los
comprá-las
mantêm-no
constituí-los
Perceba que os pronomes lo, las e no não alteram a classificação do verbo. Para identificar a regra de acentuação, basta retirar o pronome e analisar a palavra original.
Veja:
dá-lo → analisa-se dá.
vê-los → analisa-se vê.
comprá-las → analisa-se comprá.
mantêm-no → analisa-se mantêm.
constituí-los → analisa-se constituí.
Assim, a classificação da palavra e a justificativa da acentuação permanecem exatamente as mesmas da forma original.
O pronome apenas se liga ao verbo por meio do hífen, mas não interfere na posição da sílaba tônica nem modifica a regra de acentuação aplicada.
Atenção!
Um erro bastante comum é contar o pronome como se ele fizesse parte da palavra na hora de identificar a sílaba tônica. Isso está incorreto.
Sempre que um verbo estiver acompanhado de um pronome oblíquo átono, ignore o pronome e classifique apenas a palavra principal.
Essa é exatamente a orientação adotada pela gramática normativa e cobrada pelas bancas examinadoras.
Relação entre as Oxítonas e os Monossílabos Tônicos
Ao estudar acentuação gráfica, muitos candidatos percebem que as regras das oxítonas e dos monossílabos tônicos são muito parecidas.
Isso realmente acontece, pois ambas levam em consideração a tonicidade da última sílaba da palavra.
Observe:
fé → possui apenas uma sílaba, que é tônica → monossílabo tônico.
café → possui duas sílabas, sendo a última a tônica → oxítona.
Perceba que, em ambos os casos, a tonicidade recai na última sílaba da palavra. Essa semelhança explica por que as duas regras possuem terminações praticamente iguais.
Monossílabos tônicos: recebem acento quando terminam em a(s), e(s) e o(s).
Exemplos:
pá
pé
pó
Oxítonas: recebem acento quando terminam em a(s), e(s), o(s), em e ens.
Exemplos:
café
cipó
avó
alguém
parabéns
Observe que existe apenas uma diferença importante: as terminações "em" e "ens" fazem parte da regra das oxítonas, mas não da regra dos monossílabos tônicos.
Compare:
alguém → oxítona terminada em em → recebe acento.
parabéns → oxítona terminada em ens → recebe acento.
bem → monossílabo tônico terminado em em → não recebe acento.
quem → monossílabo tônico terminado em em → não recebe acento.
É justamente essa diferença que demonstra que, embora as duas regras sejam muito semelhantes, elas não são idênticas.
Como isso pode aparecer nas provas?
Do ponto de vista linguístico, alguns gramáticos entendem que o monossílabo tônico pode ser considerado um caso particular das oxítonas, pois sua única sílaba é, ao mesmo tempo, a sílaba final e a sílaba tônica.
Entretanto, para fins de concursos públicos, a orientação mais segura é tratar cada caso de forma independente.
Assim:
se a palavra possuir apenas uma sílaba, aplique a regra dos monossílabos tônicos;
se possuir duas ou mais sílabas e a tonicidade recair na última sílaba, aplique a regra das oxítonas.
Essa é, inclusive, a forma como a grande maioria das gramáticas didáticas apresenta o conteúdo e como inúmeras questões de concursos públicos justificam a acentuação das palavras.
Em resumo: embora seja possível, sob uma perspectiva técnica, enquadrar os monossílabos tônicos como um caso particular das oxítonas, nas provas de concursos o ideal é não misturar as duas regras.
Sempre aplique a regra específica correspondente à classificação da palavra: monossílabo tônico ou oxítona. Essa postura evita erros e está em perfeita sintonia com a forma de cobrança adotada pelas principais bancas examinadoras.
Principais Monossílabos Tônicos Cobrados em Concursos Públicos
Embora a regra dos monossílabos tônicos seja bastante simples, algumas palavras aparecem com muita frequência nas provas de concursos públicos. Por esse motivo, vale a pena conhecê-las e memorizá-las.
Observe os principais exemplos:
há
já
má
más
pá
pás
lá
dá
pé
pés
mês
vê
vês
lê
lês
crê
crês
pó
pós
só
nós
pôs
Atenção!
Algumas palavras costumam induzir o candidato ao erro, pois são monossílabos tônicos, mas não recebem acento, já que não terminam em a(s), e(s) ou o(s).
Observe alguns exemplos:
sol
mar
mel
flor
bom
fim
dor
cor
céu (recebe acento, mas por outra regra: ditongo aberto em monossílabo tônico).
Da mesma forma, palavras como réu, méis e céu são frequentemente cobradas em provas.
Elas não são acentuadas pela regra dos monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s) e o(s), mas sim pela regra dos ditongos abertos tônicos (éi, éu e ói).
Dica para concursos: memorize especialmente as formas há, já, dá, pá, pé, mês, vê, lê, crê, pó, só, nós e pôs. Elas são, de longe, os monossílabos tônicos mais explorados pelas bancas examinadoras.
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