COMPLEMENTO NOMINAL: Como esse tema é abordado em concursos públicos 

O complemento nominal é um termo integrante da oração que serve para completar o sentido de um nome, ou seja, de um substantivo, de um adjetivo ou, ainda, de um advérbio terminado em “mente”. 

Diferente do objeto, que completa um verbo, o complemento nominal sempre se liga a um nome e, por isso, a sua presença em certos casos é obrigatória para que a oração tenha sentido completo, embora não seja um termo essencial.

Lembre-se: ele tem a função de complementar o significado de um nome, que pode ser:

  • um substantivo (necessidade, respeito, amor, medo etc.);
  • um adjetivo (atento, honesto, favorável, consciente etc.);
  • ou um advérbio terminado em –mente (favoravelmente, contrariamente, proximamente etc.).

Assim como existem verbos transitivos que necessitam de complementação, existem também nomes que precisam de um complemento para que a ideia se feche. 

Um ponto fundamental é que o complemento nominal sempre vem introduzido por uma preposição, funcionando de maneira semelhante ao objeto indireto. 

A diferença está em quem exige o complemento: no caso do complemento nominal, quem pede a preposição é um nome; no caso do objeto indireto, quem pede a preposição é o verbo.

Regras fundamentais do complemento nominal:

1) Sempre vem introduzido por uma preposição.

Isso o aproxima do objeto indireto, mas a diferença é quem exige a preposição: no objeto indireto é o verbo; no complemento nominal é o nome.

2) Sempre completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio).

Por isso, o complemento nominal nunca se refere diretamente ao verbo.

Exemplos comentados:

Veja alguns exemplos para entender melhor. 

Ele tem necessidade de ajuda.

  • Sujeito: ele
  • Verbo: tem (verbo transitivo direto)
  • Objeto direto: necessidade
  • Complemento nominal: de ajuda (quem tem necessidade, tem necessidade de algo).
Dica: Para confirmar que necessidade é um substantivo que exige complemento, basta colocar um artigo antes: a necessidade.

Dessa forma, na frase “Ele tem necessidade de ajuda”, o sujeito é “ele”, o verbo “tem” é transitivo direto, e “necessidade” é o objeto direto. 

Porém, “necessidade” não se basta, pois quem tem necessidade, tem necessidade de algo. O termo “de ajuda” é, portanto, o complemento nominal do substantivo “necessidade”. 

O mesmo ocorre em, por exemplo:

“Ela tinha respeito por você”.

Aqui, o sujeito é “ela”, o verbo “tinha” é transitivo direto, o termo “respeito” é o objeto direto, mas quem tem respeito, tem respeito por alguém. Logo, “por você” é o complemento nominal do substantivo “respeito” ( o respeito).

Com adjetivos, funciona da mesma forma. Observe:

 Ele é atento a tudo.

  • Sujeito: ele
  • Verbo de ligação: é
  • Predicativo do sujeito: atento (adjetivo)
  • Complemento nominal: a tudo (quem é atento, é atento a algo).

Em “Ele é atento a tudo”, o verbo “é” é de ligação e o adjetivo “atento” funciona como predicativo do sujeito. Porém, quem é atento, é atento a algo, de modo que “a tudo” aparece como complemento nominal do adjetivo. 

Outro exemplo:

Ele é honesto com seu eleitorado.

  • Sujeito: ele
  • Verbo de ligação: é
  • Predicativo do sujeito: honesto
  • Complemento nominal: com seu eleitorado (quem é honesto, é honesto com alguém).

Aqui, o adjetivo “honesto” exige a complementação “com seu eleitorado”, que é, portanto, complemento nominal. 

O mesmo também ocorre com advérbios terminados em “mente”. 

Vejamos:

Falou favoravelmente à campanha.

  • Sujeito oculto: ele/ela
  • Verbo intransitivo: falou
  • Advérbio: favoravelmente (advérbio terminado em –mente)
  • Complemento nominal: à campanha (quem fala favoravelmente, fala favoravelmente a algo/alguém).

Em “Falou favoravelmente à campanha”. O advérbio “favoravelmente” pede um complemento e esse papel é desempenhado por “à campanha”, funcionando como complemento nominal. 

Observe este outro exemplo:

Ele mora longe da praia.

  • Sujeito: ele
  • Verbo intransitivo: mora
  • Advérbio: longe
  • Complemento nominal: da praia (quem está longe, está longe de algo).

Nesse caso, “longe” é um advérbio que exige complemento, e “da praia” cumpre essa função. 

Observações importantes:

1) Complemento nominal × Objeto indireto

É importante destacar a diferença entre complemento nominal e objeto indireto, já que ambos vêm introduzidos por preposição. 

No objeto indireto, quem exige a preposição é o verbo, que é transitivo indireto. Já no complemento nominal, quem exige a preposição é um nome. 

Assim, podemos resumir:

  • No complemento nominal, quem exige a preposição é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio terminado em “mente”).
  • No objeto indireto, quem exige a preposição é o verbo transitivo indireto.

Veja a diferença:

Exemplo 1: 

Resistiu ao apelo.

  • Verbo: resistir (verbo transitivo indireto → quem resiste, resiste a algo)
  • Objeto indireto: ao apelo.

Exemplo 2: 

Teve resistência ao apelo.

  • Substantivo: resistência (quem tem resistência, tem resistência a algo). 
  • Complemento nominal: ao apelo.

Lembrando que uma forma fácil de observar se a palavra é um substantivo é colocar um artigo antes. Observe: “a resistência”. Deu certo, logo trata-se de substantivo.

Exemplo 3: 

Necessita de orientação.

  • Verbo: necessitar (verbo transitivo indireto → quem necessita, necessita de algo)
  • Objeto indireto: de orientação.

Exemplo 4: 

Tenho necessidade de orientação.

  • Substantivo: necessidade (a necessidade), além disso:(quem tem necessidade, tem necessidade de algo)
  • Complemento nominal: de orientação.

2) Uso do pronome oblíquo átono “lhe” em  complementos nominais 

Na maioria dos casos, os pronomes oblíquos não funcionam como complemento nominal, porque aparecem ligados diretamente a um verbo (próclise, mesóclise ou ênclise).

Porém, existe uma exceção importante: o pronome oblíquo átono, em especial o “lhe”, pode funcionar como complemento nominal quando complementar um nome.

Observe:

Exemplo 1: 

Isso lhe é favorável.

  • Substituímos “lhe” por “a ele”: Isso é favorável a ele.
  • Verbo: é (de ligação)
  • Predicativo do sujeito: favorável (adjetivo)
  • Complemento nominal: a ele (quem é favorável, é favorável a alguém). 

Logo, nesse exemplo, o “lheque é um pronome oblíquo átono funciona como complemento nominal.

Exemplo 2: 

Não lhe tem amor.

  • Substituímos “lhe” por “a ele”: Não tem amor a ele.
  • Substantivo: amor (quem tem amor, tem amor a alguém)
  • Complemento nominal: a ele.

Aqui, também temos o “lhe” funcionando como complemento nominal do substantivo “amor”.

Dica prática: sempre que estiver em dúvida, substitua o pronome lhe por a ele/ a ela. Se o termo completar um nome (substantivo ou adjetivo), será complemento nominal.

Resumo prático sobre os complementos nominais

De forma resumida, o complemento nominal completa um substantivo, adjetivo ou advérbio, sempre introduzido por preposição. Já o objeto indireto completa um verbo transitivo indireto, também com preposição. 

Uma dica prática é tentar colocar um artigo antes do nome: 

  • Se for possível, é um indício de que esse nome pode pedir complemento nominal, como em “a necessidade”, “o respeito”, “a resistência” e “o amor”. 

Além disso, ao lidar com o pronome “lhe”, o ideal é substituí-lo por “a ele” ou “a ela”: 

  • Se estiver completando um nome, será complemento nominal; se estiver completando um verbo, será objeto indireto.

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